 |
Cresce expansão
de software nacional no mercado exterior.
Empresa de tecnologia de informação de S.
José deve faturar R$ 10 mi em 2006.
Data: 06/11/2005
Fonte: Jornal Vale Paraibano
Por: Alexandre Alves - São José dos Campos
Cresce a cada dia a importância do software brasileiro
no mercado mundial. Empresas de desenvolvimento de produtos
e serviços na área de TI (Tecnologia da Informação),
relegadas a abastecer um tímido mercado interno há
cerca de 10 anos, hoje dividem um robusto bolo de US$ 7,7 bilhões
em negócios anuais, segundo levantamento da Softex (Associação
para a Promoção da Excelência do Software
Brasileiro).
No entanto, as exportações brasileiras em TI representam
apenas 1,5% desta cifra, além de estar muito longe dos
US$ 100 bilhões por ano em negócios que deve gerar
o mercado norte-americano de TI na próxima década.
"Temos um longo caminho pela frente para trilhar",
avalia o engenheiro com formação na área
econômica Marcos Arruda, 31 anos, diretor-executivo da
BoldCron Technologies, empresa de desenvolvimento em TI de São
José dos Campos.
Formada por três engenheiros do ITA (Instituto Tecnológico
de Aeronáutica) em 1999, a BoldCron vem dobrando de tamanho
e faturamento ano após ano. Segundo Arruda, os R$ 4 milhões
de faturamento previstos para 2005 devem pular para R$ 10 milhões
em 2006.
A conquista de novos mercados tem sido fundamental para o salto
na lucratividade da empresa --que deve dobrar sua equipe de
32 funcionários até meados do próximo ano.
Desenvolvendo solução em TI especialmente na área
de negócios via internet, a BoldCron estuda abrir escritórios
nos EUA e na Argentina, países para onde exporta seus
produtos e serviços e possui clientes com grande potencial
de expansão.
"Competimos de igual para igual com grandes empresas de
software", acredita Arruda. Para ele, a receita do sucesso
na área de software é simples: descobrir, reter
e motivar talentos formando a mais talentosa e competitiva equipe
de desenvolvimento possível.
QUALIDADE - Ponto a favor das empresas de TI
radicadas no Vale do Paraíba é a condição
de vida que a região oferece. Menos violenta, poluída
e saturada do que outras áreas do Estado de São
Paulo, cidades valeparaibanas como São José, Taubaté
e Pindamonhangaba atraem pela oportunidade de negócios
e vida menos conturbada.
São virtudes que, segundo empresários e especialistas,
simplificam a vida de quem tem que negociar a permanência
de talentos na região. "Oferecer bons salários
não é a única maneira de convencer um profissional
de TI a ficar e trabalhar no Vale do Paraíba", explica
Pierre Tadeu Mangussi, 32 anos, gerente de tecnologia da Mult-E
Web Solutions, de São José.
No mercado desde 1998, a empresa capitalizou dividendos ao apostar
na qualidade dos seus produtos e serviços, sem esquecer
de manter o foco na qualificação da mão-de-obra.
Atuando no ramo de desenvolvimento e consultoria de software
para a internet, em várias áreas, Mangussi revela
que 50% dos clientes da empresa estão hoje em São
Paulo.
"O Vale do Paraíba é uma região forte
no país em termos de industrialização e
tecnologia, mas o desenvolvimento de software ainda tem muito
o que crescer."
Tal expectativa facilita a vida de estudantes de informática
e de alta tecnologia a optarem por continuar no Vale, ao invés
de tentar a sorte em grandes capitais.
"As oportunidades na área de informática
são amplas e o mercado regional está aumentando
cada vez mais", confirma Regiane Ribeiro da Silva, 19 anos,
estudante do IBTA (Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada),
em São José.
EMPRESAS BUSCAM MAIS MERCADOS
DE FORA
São José dos Campos
Considerado o terceiro melhor pólo tecnológico
do Estado de São Paulo, perdendo apenas para Campinas
e São Carlos, a região do Vale do Paraíba
ainda engatinha como mercado de consumo em desenvolvimento
de softwares e soluções de TI (Tecnologia da
Informação).
Indústrias de ponta instaladas na região, como
Embraer, General Motors, Petrobras, Ford, Basf e Aços
Villares, consomem alta tecnologia fornecida por empresas
de fora.
"Quase 90% dos nossos clientes estão em São
Paulo. Acho que o mercado de TI no Vale do Paraíba
é muito pouco explorado", afirma Marcos Arruda,
diretor-executivo da BoldCron Technologies, de São
José.
A escassez de negócios em TI com empresas instaladas
aqui não se dá por falta de boas alternativas
regionais, dizem os especialistas, mas por uma questão
de escala de mercado.
"Os grandes buscam parceiros comerciais entre os grandes.
É natural", analisa Pierre Mangussi, da Mult-E
Web Solutions. "E como ninguém nasce grande, a
dificuldade das empresas da região é mesmo ter
visibilidade."
Para se tornar grande, na opinião do tecnologista Luiz
Alexandre da Silva, 33 anos, do Inpe (Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais), não basta apenas vontade.
É preciso conhecer a fundo as empresas e os produtos
para os quais se pretende vender soluções em
TI e investir em qualificação, sempre.
EMPRESÁRIOS CRITICAM FALTA DE INCENTIVOS
As empresas de São José dos Campos reclamam
da falta de incentivos fiscais por parte da Prefeitura para
ampliar a produção de serviços e produtos
de TI (Tecnologia da Informação). Segundo os
empresários, não há no município
política pública voltada para o desenvolvimento
de softwares e TI, ramos que crescem em todo o País.
Marcos Arruda, da BoldCron, cita o exemplo de Recife que,
com política agressiva de isenção fiscal
e apoio público, está se tornando um pólo
tecnológico nacional.
UNIVAP
TEM PARQUE TECNOLÓGICO
São José dos Campos
Para inverter o jogo a favor das empresas regionais de tecnologia,
a Univap (Universidade do Vale do Paraíba) investiu
R$ 12 milhões e inaugurou em abril deste ano o Parque
Tecnológico no campus Urbanova, em São José.
Trata-se de um prédio de 19 mil metros quadrados de
área construída capaz de abrigar até
40 empresas no setor de desenvolvimento de novas tecnologias.
Em sete meses, cerca de 60% da área disponível
para receber empresas já está ocupada. São
atualmente 14 firmas de vários tamanhos e vocações,
todas elas no ramo de tecnologia, que aproveitam o belo cartão
de visita que é o prédio do Parque Tecnológico
e a vista panorâmica da cidade de São José
para fomentar negócios.
"Os clientes vêm aqui e acabam comprando a estrutura
que temos, não apenas as soluções em
TI que oferecemos", reconhece o diretor-executivo da
BoldCron, Marcos Arruda, uma das empresas no Parque Tecnológico.
Para Carlos Alberto de Moura, diretor de Planejamento da Univap,
a maior vantagem do Parque Tecnológico é mesclar
empresas de ponta com o conhecimento acadêmico produzido
na universidade.
.
|
 |