Espionagem Virtual
Pesquisadores monitoram 'espiões'
Estratégia é antecipar a ação dos
'crackers', que são especializados em roubar segredos
e subverter dados na internet Data: 18/12/2005
Fonte: Jornal Valeparaibano Por: Marcelo
Pedroso
São José dos Campos
Em tempos virtuais, o submundo da espionagem abandonou os
apetrechos de James Bond e se armou de tecnologias cibernéticas
para investigar arquivos restritos, projetos e capturar informações
privilegiadas.
Esse é o mundo dos "crackers" (criminal
hackers), espiões que deslizam furtivamente pela infovia
da Internet em busca de brechas nos programas dos computadores
com o objetivo de subverter dados, roubar segredos, desmantelar
corporações e até mesmo o cidadão
comum. Para eles, a distância do ataque é medida
pelos cliques no teclado do computador.
Na contramão das atividades ilegais, pesquisadores
de todo o mundo buscam formas de antecipar os passos dos invasores,
além de estudar o comportamento dos espiões
digitais.
Uma das estratégias para entender como pensam e agem
os "crackers" é a montagem de "armadilhas"
em falsas máquinas que simulam informações
verdadeiras. Estes são os "honey pots", que
em português significam "potes de mel". Conjuntos
destas armadilhas somam uma "honeynet", com direito
a tráfego de informações e demais atividades
que levem o invasor a pensar que está entrando em um
sistema operacional genuíno.
ARMADILHA - A rede é projetada especificamente para
ser comprometida e possui mecanismos de controle que impedem
sua utilização como base de lançamento
de ataques contra outras redes. Uma vez comprometida, a honeynet
é utilizada para observar o comportamento dos invasores,
coletar ferramentas e determinar novas tendências de
ataques. Elas possibilitam que se façam análises
detalhadas das vulnerabilidades exploradas, das ferramentas
utilizadas e da motivações dos atacantes.
No Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), as pesquisas
com honeynets já somam quatro anos. O Ressin (Grupo
de Redes e Segurança de Sistemas de Informação)
desenvolve metodologias, ferramentas e procedimentos para
melhorar a segurança de sistemas de informação
interligados à rede do Inpe e à Internet de
modo geral.
O Ressin atua nesta área de pesquisa deste 2001, com
a implementação da primeira honeynet de pesquisa
no Brasil, a Honeynet.BR. Em função dos resultados
que vem obtendo, a Honeynet.BR foi convidada a participar
do Honeynet Research Alliance, que reune entidades de pesquisa
de vários países visando a troca de informações
e experiências.
"Estamos sempre descobrindo coisas novas. O estágio
atual das pesquisas permite às empresas usarem essa
tecnologia, mas quem usa não vai falar para você",
disse o pesquisador do Inpe, Benício Pereira Carvalho
Filho.
CERTIFICAÇÃO - Para o diretor da Boldcrom,
Luis Scalione, a utilização de sistemas seguros
é essencial tanto no mundo corporativo quanto nas atividades
pessoais. A Boldcrom está instalada no Parque Tecnológico
da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) e trabalha
com certificação digital.
Entre as atividades realizadas pela empresa está o
webmail seguro, uma troca de documentos via internet por meio
de criptografia (linguagem codificada).
Segurança também é o negócio
da Internexo, empresa que comemorou em 2005 10 anos de atividade
em São José. Segundo o diretor Ethy Brito, a
Internexo colabora para solucionar ataques a computadores
por meio da divulgação de resultados no site
do Cert-Br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Acidentes
de Segurança no Brasil).
"Quanto menor o tempo de resposta a um ataque, menos
prejuízos."
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